Por que famílias ricas sabem mais sobre o CDI do que sobre seus próprios imóveis?
Florianópolis (SC) — Todo investidor sabe quanto rendeu o CDI no último mês. Poucos conseguem afirmar, com precisão, qual foi o retorno efetivo do imóvel herdado pela família, depois de contabilizados custos de manutenção, depreciação, reformas emergenciais e perda silenciosa de valor ao longo do tempo.
A assimetria expõe uma das fragilidades históricas do mercado patrimonial: enquanto ativos financeiros evoluíram para um ambiente altamente monitorado, digitalizado e orientado por dados, grande parte do patrimônio imobiliário ainda é administrada de forma fragmentada, com baixa previsibilidade e pouca inteligência operacional.
O desafio ganha relevância diante do tamanho desse mercado. Segundo levantamento da Savills, o mercado imobiliário global atingiu US$ 390 trilhões, em 2025 (valor superior ao combinado de ações, títulos e ouro). Já o McKinsey Global Institute estima que cerca de 68% do patrimônio líquido mundial esteja concentrado em imóveis.
No Brasil, o avanço das family offices e das estruturas de gestão patrimonial tem ampliado a demanda por governança e visibilidade sobre esses ativos. Levantamento da Forbes aponta que o país já reúne 546 empresas atuando em gestão patrimonial e family offices, sendo 44% delas estruturadas como multi family offices.
“Existe uma contradição evidente nesse mercado. O ativo mais valioso das famílias ainda é administrado, muitas vezes, com controles dispersos, pouca previsibilidade e sem inteligência sobre o custo real de manutenção daquele patrimônio”, afirma Enrico Dias, CEO do Grupo Rede Vistorias.
O custo invisível do patrimônio imobiliário
Na avaliação da companhia, o aluguel representa apenas a parcela visível da rentabilidade imobiliária. Sob a superfície, há uma camada de custos frequentemente negligenciada: manutenção corretiva acumulada, depreciação física, intervenções emergenciais, sinistros e perda de eficiência operacional.
Sem uma base estruturada de informações, esses gastos acabam diluídos ao longo dos anos, dificultando a leitura real sobre a performance do ativo.
“Na prática, muitos multi family offices acabam se transformando em grandes administradoras imobiliárias. O problema não é falta de competência técnica. O que falta é informação estruturada para tomada de decisão”, diz Dias.
A aposta do Grupo RV em inteligência patrimonial
Fundado em Florianópolis, o Grupo Rede Vistorias completa 10 anos operando o que classifica como o maior datalake imobiliário do Brasil. A companhia realiza atualmente mais de 20 mil vistorias mensais em cerca de 800 cidades brasileiras e já ultrapassou a marca de 1 milhão de vistorias realizadas.
Ao longo dessa trajetória, a empresa estruturou uma base proprietária com 260 milhões de registros relacionados a imóveis, formando uma infraestrutura de dados que passou a sustentar a nova estratégia da companhia: transformar informação operacional em inteligência patrimonial.
A partir das vistorias, o Grupo RV criou o MID (Meu Imóvel Digital), um modelo de gêmeo digital que centraliza histórico, características técnicas, manutenção e evolução dos imóveis monitorados pela plataforma.
“A vistoria deixou de ser apenas um documento operacional. Ela passou a funcionar como uma camada contínua de inteligência sobre o ativo imobiliário. Cada imóvel gera dados capazes de antecipar riscos, orientar manutenção preventiva e trazer visibilidade sobre o que efetivamente aquele patrimônio custa e entrega ao longo do tempo”, afirma Dias.
Segundo o executivo, o mercado imobiliário deve atravessar, nos próximos anos, uma transformação semelhante à vivida pelo sistema financeiro nas últimas décadas, marcada por digitalização, integração de dados e monitoramento em tempo real.
“Durante décadas, famílias perderam patrimônio imobiliário por falta de gestão estruturada. O que estamos construindo é uma infraestrutura capaz de transformar imóveis em ativos gerenciáveis com inteligência, previsibilidade e transparência. Não faz mais sentido gerir o patrimônio imobiliário no escuro”, afirma.
Sobre o Grupo RV
Fundado em 2016, em Florianópolis (SC), o Grupo RV é um ecossistema de soluções para o mercado imobiliário e patrimonial. Reúne operações como a Rede Vistorias — maior rede de vistorias imobiliárias do país —, além da Lado Bom Seguros e da Reparo Fácil. A empresa atua em mais de 800 cidades brasileiras e possui operações internacionais em Portugal, Uruguai, Paraguai e Colômbia. Em dez anos, realizou mais de 1 milhão de vistorias e consolidou o maior datalake imobiliário do Brasil.




